Lendas

LENDA DA MOURA DOS PÉS DESCALÇOS

http://ruralgarve.in-loco.pt/wp-content/gallery/lendas-serranas/dscf0243-l.jpgHá uma lenda pouco conhecida que conta uma história que dizem ter acontecido no interior algarvio, na zona da Serra do Caldeirão.

Antes do nascer do sol, numa manhã de S. João, um pastor que andava por um vale viu uma formosa donzela sentada no gargalo de um poço, que lhe acenou. Ele aproximou-se. Perguntou-lhe o que fazia ali sentada àquela hora da manhã e ela, batendo os pés descalços na água, disse-lhe que estava à espera de quem lhe trouxesse os seus sapatos, para poder regressar ao seu país.

Em contrapartida, quem lhe levasse os sapatos seria grandemente recompensado e, parando de bater os pés, retirou da parede do poço atrás das suas pernas duas grandes esmeraldas que mostrou ao pastor. “Onde estão os teus sapatos?” perguntou-lhe o homem já só vendo as esmeraldas na sua frente. “Isso terás tu de descobrir. Mas será no ano que vem, pois agora tenho de me ir embora”. Respondeu-lhe a donzela e, antes do sol começar a aparecer por cima do horizonte, saltou para dentro do poço e desapareceu como num passe de magia.

O homem ainda procurou as joias, mas não as encontrou. Foi para casa muito perturbado e contou à mulher o que lhe acontecera. Esta aconselhou-o a, no ano seguinte, levar uns sapatos seus. O homem assim o fez. Quando chegou ao poço já a donzela lá estava a bater os pés na água. Ela disse-lhe o mesmo que no ano anterior e voltou a mostrar-lhe as joias. O pastor deu-lhe os sapatos que levava, mas ela recusou-os dizendo que não eram os seus. O homem insistiu, mas de nada adiantou. Por fim, rendido, voltou a perguntar-lhe onde estavam os seus sapatos, mas a donzela não respondeu, apenas parou de bater os pés e ficou longamente a olhar para a água. O homem irritou-se, pois o céu estava a clarear e ela não lhe respondia. Voltou a perguntar uma e outra vez, mas a donzela mantinha-se imóvel a olhar para a água do poço. O pastor não queria ter de esperar mais um ano para ter as suas esmeraldas. Assim, puxou a moura para fora do poço para lhe poder roubar as esmeraldas antes que desaparecessem com ela ao nascer do sol. Mas, no momento em que os seus pés saíram da água começaram a desfazer-se em salpicos de água e, em pouco tempo, todo o seu corpo se desfez em água na frente do homem.


Este, perturbado, procurou as joias onde ela estava sentada, mas não as encontrou, acabou por destruir todo o gargalo à procura das joias, mas não as encontrou. Por fim, cansado, debruçou-se sobre a água para beber um pouco e foi quando viu dois sapatinhos verdes alinhados no fundo do poço. Diz quem lá vive que nas manhãs de S. João ainda é possível ver os sapatos verdes no fundo do poço, esperando pelo regresso da sua dona. (Mariana)




A lenda do galo de Barcelos

Conta a lenda que, por volta do século XVI, todos andavam muito assustados em Barcelos por causa de um crime que lá se tinha passado. É que o criminoso ainda não se tinha descoberto e isso deixava as pessoas com medo.
Certo dia, apareceu na zona um espanhol da região Galiza que passou logo a ser o principal suspeito. As autoridades acharam que era ele o culpado pelo crime e prenderam-no.
O galego defendeu-se, dizendo que ia a caminho de Santiago de Compostela para pagar uma promessa, mas ninguém acreditou nele…
Com toda a gente contra o galego, e ele sem poder provar que estava inocente, acabou por ser condenado à forca.
Como última vontade, o galego pediu que o levasse até ao juiz que o tinha condenado. Quando o galego chegou a casa do juiz, ele estava reunido com os amigos a deliciar-se com um grande banquete. Voltou a dizer que estava inocente, mas, mais uma vez, ninguém acreditou nele…
Então, o condenado reparou num galo assado que estava numa travessa na mesa, prontinho para ser comido, e disse:
-É tão certo eu estar inocente como certo é esse galo cantar quando me enforcarem.
Todos se riram da afirmação do homem mas, mesmo assim, resolveram não comer o galo.
Quando chegou a hora de enforcarem o galego, na casa do juiz aconteceu algo insólito: o galo assado levantou-se e cantou. Afinal, o homem estava mesmo inocente!
O juiz correu até ao sítio onde ele estava prestes a ser enforcado e mandou soltá-lo imediatamente.
Passados alguns anos, o galego voltou a Barcelos e mandou construir um monumento em louvor à Virgem e a São Tiago para lhes mostrar o seu reconhecimento.   (Letícia)


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